A inspeção quase nunca é o problema. Quem responde pela manutenção numa indústria pequena costuma saber o que olhar no compressor e na empilhadeira — o roteiro está na cabeça e, na maioria dos dias, é cumprido. O que se perde é o depois: o técnico anota “vazamento na conexão” no caderno, a folha volta para a bancada, e três semanas depois ninguém sabe se aquilo foi corrigido nem quem ficou responsável. Quando se repete, a inspeção vira ritual — continua consumindo a manhã de alguém e não muda decisão nenhuma.

Este é um modelo de checklist de inspeção de equipamentos montado para fechar esse ciclo dentro do Excel, sem macro e sem sistema — uma planilha de inspeção pronta para usar no mesmo dia em que você baixa. Você inspeciona, marca, e o que reprovou vira pendência no plano de ação, com responsável, prazo e prioridade.

A planilha em resumo

  • Gratuita, sem cadastro e sem e-mail
  • Download imediato, direto no botão acima
  • Excel (.xlsx) com 11 abas, na ordem do trabalho
  • Sem macros e sem fórmulas matriciais
  • Abre no Google Sheets e no LibreOffice
  • Painel com conformidade, pendências e inspeções vencidas
  • Plano de ação com responsável, prazo e prioridade
  • Criticidade de 0 a 10 definida por item, não pelo técnico

O que a planilha faz

São onze abas, na ordem do trabalho. Você cadastra as máquinas em Equipamentos — TAG, tipo, setor e de quantos em quantos dias inspecionar — e monta o catálogo em Itens Inspecionados, uma linha por item de verificação, com a criticidade de cada um. Como o catálogo é por tipo de máquina, você escreve uma vez e ele vale para todas as unidades daquele tipo. Dali sai a Folha de Campo, o checklist impresso, com as caixas de OK, NOK e N/A.

De volta da inspeção, você cola o bloco de Modelo para lançamento em Lançar Resultado e marca as respostas. O resto se arma sozinho: Plano de ação junta o que reprovou com prioridade e prazo, Resumo por inspeção e Painel mostram conformidade e pendências, e cada máquina passa a avisar quando a próxima inspeção vence. Vem com oito tipos de máquina, sessenta e seis itens de catálogo, dez equipamentos e cinco inspeções de exemplo, para você ver os indicadores rodando antes de colocar os seus.

Como a criticidade e a nota funcionam

Só existem três respostas: OK, NOK e N/A. A gravidade não está na resposta — está na criticidade do item, que você define uma vez no catálogo, numa escala de zero a dez.

NotaCriticidadeO que significa
0Conforme / N/AItem aprovado, ou que não se aplica a esta máquina.
3ObservaçãoRegistrar no relatório; não exige ação agora.
5Programar correçãoEntra no planejamento de manutenção.
7Corrigir na próxima paradaNão pode esperar o próximo ciclo.
9Corrigir imediatamenteRisco relevante.
10BloqueioA máquina não deve operar até a correção.

A conta é direta: NOK aplica a criticidade do item; OK e N/A aplicam zero. Você nunca digita a nota. Assim, NOK em “cavaco acumulado na bandeja” (criticidade 3) é uma observação, e NOK em “botão de emergência funcional” (criticidade 10) é um bloqueio — a mesma marcação do técnico produz consequências diferentes, porque a diferença estava registrada antes da inspeção.

Item cuja nota ficar igual ou acima de cinco entra no plano de ação. A prioridade sai da própria nota: oito ou mais é alta, de cinco a sete é média, abaixo disso é baixa.

Repare que zero é conforme: nota alta significa problema grave, não item aprovado. É a convenção do Andonize, e existe por um motivo prático — item conforme e item que não se aplica recebem os dois zero, então nenhum deles polui o relatório que vai para o cliente ou para o auditor.

Como priorizar as não conformidades de uma inspeção

A forma mais comum de tratar o que reprovou é pela ordem em que apareceu: a lista é percorrida de cima para baixo e a primeira pendência resolvida é a da primeira máquina inspecionada — não a mais grave, apenas a que veio antes. Quando a semana aperta, o critério silenciosamente vira outro: resolve-se o que o gerente cobrou.

Decidir a gravidade na hora é decidir no pior momento. Em campo, com a máquina parada e a produção esperando, tudo parece urgente — e quando tudo é urgente, a prioridade fica com quem fala mais alto. A saída é tirar essa decisão do campo: a gravidade pertence ao item, não à inspeção. Alguém que conhece o equipamento define, uma vez e com calma, quanto pesa cada verificação; depois disso o técnico só responde se está conforme ou não.

Um exemplo mostra o efeito. Uma prensa hidráulica com vinte itens verificados, dezenove conformes e um reprovado, fecha noventa e cinco por cento de conformidade. Um torno mecânico com os mesmos vinte itens, quatorze conformes e seis reprovados, fecha setenta. Pelo índice, o torno entra na frente — só que os seis itens dele são acúmulo de cavaco e limpeza, e o único item reprovado da prensa é o botão de emergência.

É por isso que a média de conformidade serve para acompanhar tendência e não para priorizar: ela trata todos os itens como se pesassem igual, e justamente o item que interrompe a operação desaparece no meio dos que não interrompem. Um corte por nota resolve. Nesta planilha o corte é cinco, e o número importa menos que a existência dele: um critério definido antes é defensável, um critério definido na hora é opinião.

Requisitos

Excel 2010 ou superior, Google Sheets ou LibreOffice. Sem macro, sem fórmula matricial e sem nada que precise de versão recente — abre em qualquer lugar. Os dados de exemplo usam datas relativas a hoje, por isso aparecem como fórmula: apague tudo e digite as suas.

Perguntas frequentes

Preciso me cadastrar para baixar?

Não. O download é direto, sem formulário e sem e-mail. Use e adapte à vontade no seu trabalho, inclusive com os seus clientes — o que não vale é revender o arquivo nem publicá-lo em outro site como material próprio.

Funciona no Google Sheets?

Funciona. Não há macro nem fórmula matricial, então ela abre e recalcula no Excel 2010 ou mais novo, no Google Sheets e no LibreOffice, sem conversão.

Posso adaptar para os meus equipamentos?

É para isso que ela existe. Os oito tipos que vêm no arquivo são exemplo — apague, crie os seus em Itens Inspecionados e defina a criticidade de cada verificação. Como o cadastro é por tipo de máquina, o trabalho é feito uma vez e vale para todas as unidades daquele tipo.

Quantas máquinas ela suporta?

Cinquenta equipamentos, quatrocentos itens de catálogo, cento e vinte inspeções e duas mil linhas de resultado — para uma equipe enxuta, alguns anos de operação.

O que muda quando deixa de ser planilha

Se a sua dúvida é como essa rotina acontece na prática, além da planilha, a resposta está em Como montar um checklist de inspeção. É lá que mostramos como o roteiro é descrito uma vez e passa a valer para todas as máquinas do mesmo tipo, como a medição acusa o valor fora da faixa ainda com o técnico na frente do equipamento, como a foto é marcada no ponto exato do problema e como o que reprovou vira uma pendência 5W2H com responsável e prioridade.